“Experiência não é o que acontece com um Homem; é o que um Homem faz com o que lhe acontece.”
(Aldous Huxley)
Conversando com colegas coaches, alguns formados em Psicologia como eu, percebo que a questão das diferenças entre o Coaching Executivo e a Psicoterapia permanece suscitando dúvidas. Além dos coaches de diferentes formações, coachees já me perguntaram claramente se a situação de encontro com um coach não seria parecida com o (às vezes conhecido) contexto da clínica psicológica.
Tais questões não acontecem por acaso. Há zonas cinzentas e dúvidas sobre como as atividades se tocam. Qual o coachee que não reconhece dificuldades de ordem emocional por trás de seus maiores desafios profissionais? Qual o coach que não teve que acolher expressões emocionais marcantes geradas pelo dia a dia estressante e exigente das organizações, e que vêm à tona durante a sessão de Coaching? Qual o limite do coaching nesses momentos? Até onde ele está preparado para lidar com estas questões psicológicas ou o psicólogo capaz de compreender contextos organizacionais?
Como veremos abaixo, mesmo definindo estas duas práticas, suas respectivas naturezas impedem que as zonas cinzentas deixem de existir. Mas há formas de definir campos de atuação que forneçam segurança aos envolvidos no processo, prevenindo “invasões” de lado a lado.
O Coaching Executivo, entendido como “uma parceria entre um coach executivo e um gestor que se propõe elevar sua performance profissional, a da sua equipe e da organização para a qual trabalha” (Krausz, 2007), terá seu foco nas aprendizagens e amadurecimentos necessários para se atingir determinados objetivos, normalmente ligados à vida profissional do Coachee. Cria uma relação de confiança e igualdade, em que horizontes de análise da situação são ampliados, e mudanças de comportamento são consideradas. A relação se propõe no mesmo nível, concentrada em provocar as mudanças necessárias no presente e futuro para que os objetivos do coachee sejam atingidos.
A Psicoterapia, por sua vez, pode ter diversas manifestações. O Conselho Federal de Psicologia a definiu como “...um processo científico de compreensão, análise e intervenção (...), promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos”. Tal definição genérica considera a grande diferença de práticas psicoterápicas de diferentes visões de Ser Humano. Assim, podem diferir bastante em seu método, dependendo se a orientação do psicólogo for derivada da psicodinâmica (inaugurada pelos trabalhos de Freud), da Psicologia Comportamental (dos trabalhos de Watson e posteriormente Skinner), da Gestalt (baseada nas idéias de Wertheimer, Köhler e Koffka), ou várias versões e interpretações que destas três forças foram se desmembrando. Algumas propostas analisarão questões passadas e seus impactos, outras, presentes e futuras. Algumas enfatizarão uma interpretação segundo um determinado construto teórico, outras enfatizarão que isto não deve prejudicar a observação do indivíduo e do que é importante para ele.
Como é possível notar, não há de nenhum dos lados o monopólio ou características distintivas seguras quanto ao método adotado, nem mesmo o uso de uma linguagem específica (uma vez que a Psicologia Organizacional também utiliza as denominações típicas das organizações). Mas embora tenham formas de atuação semelhantes, em sua definição fica clara a distinção de objetivos.
Diferente da Psicoterapia, no Coaching Executivo há um contrato focado no contexto profissional, determinando o que se busca com o processo. Tornar claros esses alvos e manter o foco nos mesmos faz parte de um processo de coaching adequado e bem conduzido. Difere da psicoterapia por esta ter objetivos de promoção de saúde, que não enfatizam um recorte específico da vida do indivíduo (como a vivência no trabalho).
O Coach Executivo não age como Psicólogo simplesmente por acolher as manifestações emocionais e dificuldades que emergem na relação. Faz isto como ser humano, parceiro que é na busca dos objetivos acordados, e tratará esta ocorrência como parte do processo. Está ciente de seu foco, e de que as mudanças que o coachee promove devem caminhar em direção ao estabelecido no contrato. Profissionais críticos e alertas em relação a sua atuação sabem perceber quando uma dificuldade psicológica passa a ser a tônica do processo, e os envolvidos podem analisar a pertinência de um encaminhamento à psicoterapia. A todo o momento, o Coach responsável deve avaliar se possui a competência requerida para o caso, ou propor e analisar alternativas que possam ser mais produtivas.
Fabio R. A. Michelete
fabio@liquiddesenvolvimento.com.br
http://www.liquiddesenvolvimento.com.br
Vinhedo - SP
É Psicólogo pela PUC-SP, Mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela USP – reconhecido especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho pelo Conselho Federal de Psicologia.
É Coach certificado pela ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial, e filiado à WABC – Worldwide Association of Business Coaches.
Autor do romance "Aprendi a me Amar" (clique aqui) com mensagem sobre auto-desenvolvimento e fortalecimento da auto-estima.
Tem experiência com trabalhos de revisão de estruturas de cargos e definição e avaliação de competências em empresas nacionais e multinacionais de diferentes portes e segmentos – sempre em acordo com as mais severas normas de qualidade. Sua dissertação de Mestrado é sobre o uso de métodos de avaliação de desempenho.
Realiza atividades de avaliação de Perfis individuais e em grupo para fins de seleção, análise de potencial e orientação de carreira, utilizando-se principalmente de entrevistas e das ferramentas:
Teoria de W. M. Marston - com 7 anos de experiência na avaliação de relatórios individuais e de equipes, formou em treinamentos reconhecidos mais de 180 profissionais de recursos humanos, tendo inclusive contribuído para o material de formação utilizado pela Thomas International.
MBTi – Myers Briggs Type Indicator, sendo certificado pela IDH para aplicação e ensino dessa ferramenta de perfil focada no desenvolvimento, desde 2004.
É docente no MBA em gestão de Pessoas da FGV-Management, do MBA em Gestão Empresarial da FEA-USP de Ribeirão Preto, e da Pós-graduação da POLICAMP