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:: Coaching deve ampliar a consciência das relações de trabalho
Não raro, coachees relatam o desgaste com a atividade profissional, esgotamento, frustração, desequilíbrio. Por que o trabalho representa uma ameaça à qualidade de vida, se é parte inerente da mesma?
Para responder esta pergunta, precisamos compreender o que é o trabalho e que características possui. Segundo Malvezzi (1988), o trabalho pode ser entendido como a ação humana de modificar as características do ambiente intencionalmente, de modo a possibilitar sua sobrevivência e atendimento de suas necessidades. Ao definir a forma como o trabalho é feito, os materiais trabalhados e os resultados dos trabalhos, o Homem constrói constantemente suas relações sociais e históricas. Três dimensões do trabalho, o trabalhador, o material da natureza e o resultado final, configuram diferentes relações, dependendo da relação de trabalho estabelecida, e assumiu várias formas ao longo dos tempos.
Malvezzi (1988) aponta que é no trabalho artesão que o Homem podia se identificar melhor com seu trabalho. Tinha uma relação de controle sobre seu ritmo, seus materiais e os resultados finais. A partir da institucionalização do trabalho, as relações de trabalho que se estabelecem no capitalismo distinguem as figuras do idealizador e do realizador do trabalho, destaca a capacidade laboral do trabalhador, como se esta fosse um produto que pudesse ser comercializado a despeito do humano que o desempenha. Em relação ao trabalho como artesão, no trabalho institucionalizado, o Homem não mais controla a definição do trabalho, a forma como é feito, e sequer a forma como ele usa suas capacidades de ação e transformação do ambiente ou material natural utilizado.  O fruto de seu trabalho não é seu.
Como resultante, podemos discutir as formas de realizar o trabalho com maior ou menor flexibilidade, dependendo da organização, mas sempre haverá uma submissão do indivíduo à organização  ou ao grupo a que pertence num dado momento. Isto é sério: o trabalho institucionalizado (que representa a totalidade das atividades pelas quais ganhamos dinheiro hoje em dia) não permite uma relação de satisfação plena e duradoura. Há um grau de insatisfação inerente à forma como organizamos nossa sociedade de trabalho.
Não se trata de uma postura pessimista nem revolucionária. Há saídas honrosas para esta questão. A exemplo de como a maturidade nos ensina a lidar com os (também inevitáveis) infortúnios e frustrações da vida, quanto maior o grau de compreensão da relação estabelecida do indivíduo com seu trabalho, mais controle sobre seus efeitos nós temos. Profissionais críticos sobre sua situação, seu envolvimento com as metas da empresa e seu auto-conhecimento tendem a se adaptar mais rapidamente a mudanças e passar com maior facilidade por infortúnios e percalços do que profissionais rígidos, que vivem para a companhia que os emprega ou para atender seus clientes.
Ao Coach sério, cabe a compreensão da importância do trabalho para a constituição do sujeito. Não é facultado a ninguém subestimar seus impactos no bem estar e produtividade do indivíduo.
O processo de Coaching, como estratégia de desenvolvimento com adaptação individual e ajustada à necessidade do momento, tem muito a contribuir para a tomada de consciência do profissional, facilitando que compreenda o que o determina e não se deixe simplesmente levar por interesses alheios. Não é por acaso que coachees frequentemente relatam que as mudanças pelas quais passam geram impactos muito além da esfera do trabalho.
Aumentar o grau de compreensão de seu papel no jogo organizacional e articular isto com seus objetivos pessoais são formas eficazes de se promover satisfação no trabalho. O caminho duro, com recompensa futura é neste caso melhor que o atalho da alienação.
Referências:
MALVEZZI, S (1988); The man-work Relationship and Organizational Change, tese de Phd, Lancaster.
MICHELETE, F.R.A (2004); Avaliação de Desempenho no Trabalho - A interferência das técnicas utilizadas e dos avaliadores; Dissertação de Mestrado, USP – Instituto de Psicologia.
 

Fabio R. A. Michelete
fabio@liquiddesenvolvimento.com.br
http://www.liquiddesenvolvimento.com.br
Vinhedo - SP

É Psicólogo pela PUC-SP, Mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela USP – reconhecido especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho pelo Conselho Federal de Psicologia.

É Coach certificado pela ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial, e filiado à WABC – Worldwide Association of Business Coaches.

Autor do romance "Aprendi a me Amar" (clique aqui) com mensagem sobre auto-desenvolvimento e fortalecimento da auto-estima.

Tem experiência com trabalhos de revisão de estruturas de cargos e definição e avaliação de competências em empresas nacionais e multinacionais de diferentes portes e segmentos – sempre em acordo com as mais severas normas de qualidade. Sua dissertação de Mestrado é sobre o uso de métodos de avaliação de desempenho.

Realiza atividades de avaliação de Perfis individuais e em grupo para fins de seleção, análise de potencial e orientação de carreira, utilizando-se principalmente de entrevistas e das ferramentas:

Teoria de W. M. Marston -  com 7 anos de experiência na avaliação de relatórios individuais e de equipes, formou em treinamentos reconhecidos mais de 180 profissionais de recursos humanos, tendo inclusive contribuído para o material de formação utilizado pela  Thomas International.

MBTi – Myers Briggs Type Indicator, sendo certificado pela IDH para aplicação e ensino dessa ferramenta de perfil focada no desenvolvimento, desde 2004.

É docente no MBA em gestão de Pessoas da FGV-Management, do MBA em Gestão Empresarial da FEA-USP de Ribeirão Preto, e da Pós-graduação da POLICAMP



 

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