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:: Grandes questões para pensar sobre sua carreira

Quando pensamos em falar de carreira, grandes temas podem ser levantados e todos merecem ser discutidos. Por isso, optamos aqui por abordar, em linhas gerais, as principais pressões e tendências que devem ser consideradas ao se tomar decisões sobre a sua carreira ou ainda, para procurar a melhor orientação para nossos filhos.

Devo investir mais na formação ? Até quando serei importante para o mercado, garantindo a chamada "empregabilidade" ? Porque é tão difícil encontrar emprego ? Por que tenho que trabalhar tanto para receber o mesmo de antigamente ? Como devo orientar meus filhos sobre carreira ? Qual o tempo ideal de permanência numa empresa ? Devo permanecer na empresa ou buscar outra oportunidade ? Todas essas dúvidas, em maior ou menor grau, aparecem nas discussões dos brasileiros e dos profissionais de todo o mundo ocidental. Ao procurar as respostas, é importante discorrer sobre alguns temas principais, que são enumerados abaixo:

  • O contexto globalizado da economia, promovido pelo desenvolvimento tecnológico - marcadamente nas telecomunicações e na informática, promoveu ganhos de produtividade e possibilidades de realizar trabalhos reunindo grupos distantes geograficamente. Como conseqüência, inúmeros postos de trabalho foram extintos, e as exigências para os postos remanescentes são muito maiores. O ritmo das mudanças é crescente, tornando praticamente impossível se manter atualizado, ou prever cenários para definir objetivos para a empresa;
  • O nível de conhecimento especializado acumulado é tão grande, que alguns trabalhos só podem ser realizados através do trabalho em grupo. Há pressões para que o profissional seja muito especializado e ainda assim tenha visão do todo e habilidades interpessoais. Além disso, o aumento da competição entre as empresas força o aumento na produtividade e redução de custos, com impactos na jornada de trabalho e salários. Os vínculos de trabalho e as leis que os regem estão se flexibilizando;
  • O Estado perde sua capacidade de garantir condições mínimas de sobrevivência e de igualdade de acesso a recursos de educação, saúde e suporte na velhice. Para suprir essa necessidade, aumentam as pressões sobre o orçamento dos indivíduos - há o aumento na carga tributária e com gastos de assistência médica e planos de aposentadoria privados.
  • Olhar para o mercado e buscar aprimorar-se é um conselho reverberado por todos. No entanto, o que dizer de áreas profissionais que não existem mais, ou fábricas que mudam de país ? É realmente possível conhecer o que o mercado vai querer amanhã num mundo de constantes mudanças ? Se temos que trabalhar mais e sermos mais produtivos, ganhando proporcionalmente menos, como acharemos tempo e recursos para o aprimoramento de nossas habilidades ?

Vivemos um tempo de transição, em que somos educados para respeitar horários, sermos obedientes e pouco criativos - ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho nos solicita talentos de empreendedor e flexibilidade. O momento de transição faz com que possamos ainda encontrar indivíduos buscando especialização técnica e desenvolvendo boas carreiras, com possibilidade de acumular riquezas para a aposentadoria e melhores oportunidades de assistência médica e educação para si e sua família, ao mesmo tempo em que profissionais com trajetória semelhante passam anos sem encontrar colocação, e sejam submetidos a profundas privações e estresse. É difícil saber como proteger-se e a dúvida muitas vezes paralisa o profissional.

As condições sistêmicas descritas acima têm impacto sobre todos os profissionais, estejam eles desempregados ou empregados. Estávamos desarmados para lidar com essa mudança nas relações de trabalho. No entanto, sempre há o que fazer, e podemos identificar algumas tendências claras, que sempre valem a pena.

  • Polivalência, trabalho em equipe e garra são características desejáveis em qualquer atividade. São qualidades desenvolvidas através do esforço pessoal e muito influenciada pelo ambiente a sua volta - não há como estar motivado trabalhando num ambiente em que você não se sente bem. Apesar de sermos treinados para fazer nossas provas escolares sozinhos, e a ver ícones POPs sempre solitários, o verdadeiro poder do trabalho só se manifesta na sinergia de equipes.
  • Investir na formação nem sempre é possível, mas sempre é recomendado. Se trilhar o caminho dos estudos representa buscar especialização ou visão generalista, parece que a opção especialista têm algumas vantagens. Vários guias de carreira sugerem que você deve ser muito bom em alguma coisa, deixando a visão do todo para a habilidade de trabalhar em equipe e não para fatores de formação.
  • Ter consciência clara do seu valor na organização. Se você faz alguma coisa que qualquer um pode fazer, então corre grande risco de ser substituido por um profissional mais barato. Profissionais com a visão do "eu S.A", buscam agregar valor a seu trabalho, e aumentar sua importância relativa na realização das tarefas. Eles dão seu toque pessoal.
  • Ser aberto a mudanças. Se o lugar em que você trabalha não fornece oportunidades de aprendizado e adaptação a novas demandas, seus conhecimentos e competências se tornam obsoletos a cada dia e isso representa um risco muito grande. Você tem alternativas ou se acomodou ?
  • Fazer o que gosta: imagine fazer com afinco e capricho algo que você odeia, durante pelo menos 8 horas de pelo menos 30 anos de sua vida ? Sem prazer, não se dá conta da tarefa !

Há uma tendência clara pela terceirização, com o aparecimento das chamadas empresas virtuais. Essas empresas concentram para si atividades como marketing e finanças e contratam outras organizações para todas as outras atividades - desde a produção até recursos humanos. Nas prestadoras de serviços que estão a volta da empresa virtual, o vínculo entre o profissional e a empresa é da consistência do contrato de terceirização. Ao terminá-lo, você talvez tenha que mudar de emprego. Portanto, não há mais nada de pejorativo em mudar de emprego com alguma freqüência, desde que isso ocorra pela migração do trabalho. O que pode ser considerado negativo são as mudanças motivadas por problemas de adaptação, ou desmotivação. Você pode querer virar a mesa algumas vezes, mas se isso se tornar rotina, seu problema pode não estar no trabalho.

Em suma, grandes mudanças estruturais estão tomando passo. A adaptação a essa nova situação é muito difícil, mas necessária. Ela oferece grandes oportunidades de desenvolvimento, ou pode representar grandes injustiças. Não discutimos aqui se essas mudanças são justas ou não - de qualquer forma, a solução passa pela compreensão e análise crítica desse momento de mudança por que passa nossa sociedade e essa é uma análise feita em conjunto, com bases democráticas. As linhas de ação sugeridas são caminho relativamente seguro, mas sabidamente difíceis de trilhar. Você não pode delegar a responsabilidade de decidir trilha-lo ou não para outros, sob pena de chegar a um desfecho de carreira indesejado.


Fabio R. A. Michelete
fabio@liquiddesenvolvimento.com.br
http://www.liquiddesenvolvimento.com.br
Vinhedo - SP

É Psicólogo pela PUC-SP, Mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela USP – reconhecido especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho pelo Conselho Federal de Psicologia.

É membro da diretoria e Coach certificado pela ABRACEM – Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial, e filiado à WABC – Worldwide Association of Business Coaches.

Autor do romance "Aprendi a me Amar" (clique aqui) com mensagem sobre auto-desenvolvimento e fortalecimento da auto-estima.

Tem experiência com trabalhos de revisão de estruturas de cargos e definição e avaliação de competências em empresas nacionais e multinacionais de diferentes portes e segmentos – sempre em acordo com as mais severas normas de qualidade. Sua dissertação de Mestrado é sobre o uso de métodos de avaliação de desempenho.

Realiza atividades de avaliação de Perfis individuais e em grupo para fins de seleção, análise de potencial e orientação de carreira, utilizando-se principalmente de entrevistas e das ferramentas:

Teoria de W. M. Marston -  com 7 anos de experiência na avaliação de relatórios individuais e de equipes, formou em treinamentos reconhecidos mais de 180 profissionais de recursos humanos, tendo inclusive contribuído para o material de formação utilizado pela  Thomas International.

MBTi – Myers Briggs Type Indicator, sendo certificado pela IDH para aplicação e ensino dessa ferramenta de perfil focada no desenvolvimento, desde 2004.

É docente no MBA em gestão de Pessoas da FGV-Management, do MBA em Gestão Empresarial da FEA-USP de Ribeirão Preto, e da Pós-graduação da POLICAMP



 

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